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‘Eles me tiraram da lama’, diz ex-preso sobre sistema carcerário humanizado

03 NOV 2017
03 de Novembro de 2017
De um jovem que não queria ter responsabilidades para um homem feliz, que anda de cabeça erguida. Essa é a história de Erivelton França, 30, que passou pelo sistema prisional comum e pela Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado) de Timon (MA).

No primeiro, teve uma vivência “muito ruim”. “Eu me apeguei muito a Deus, pedia que me tirasse daquele local”. Já no segundo, que integra a Fbac (federação das Apacs), finalista do Prêmio Empreendedor Social, viu que sua vida poderia ser diferente.


‘Eles me tiraram da lama’, diz Erivelton França, que esteve preso na Apac de Timon (MA) durante pouco mais de um ano, onde o sistema carcerário é humanizado, diminuindo a reincidência de 85% da prisão comum para entre 20% e 28%

Na organização alternativa ao sistema comum, encontrou um emprego e sua mulher. “Nunca imaginei, nem passava pela minha cabeça, me envolver com alguém desse tipo, que já passou por esse lugar”, lembra Lucilene, 33. “Descobri que ele era um homem maravilhoso e se eu tivesse recuado, hoje estaria arrependida.”

Os dois são pais de Erislene, 1, e o ex-recuperando, agora em liberdade, consegue enxergar um futuro. “Quero ficar muitos e muitos anos [trabalhando], velho, ao lado da minha família e ser muito feliz.”

Fiquei na Apac um ano e dois meses. Minha experiência foi muito boa porque encontrei o homem que tinha dentro de mim e eu não sabia que existia. Mudei muito. Tudo que aconteceu na minha vida hoje eu agradeço à Apac.

A minha vivência dentro do sistema [prisional] comum foi muito ruim, mas eu me apeguei muito a Deus, pedia que me tirasse daquele local pela porta da frente.

O homem que eu era antes não pensava na vida, não pensava em construir uma família, não tinha responsabilidade. Hoje, penso completamente diferente. Consegui ser um homem de verdade, ter família, responsabilidade, disciplina.

Eu me casei dentro da Apac. Foi um sonho que nunca imaginei realizar e só foi possível porque as pessoas aqui acreditaram em mim quando nem eu mesmo mais acreditava.

Conheci minha mulher no trabalho externo. Começamos a namorar, três meses depois já estávamos casados e esperando nossa filha, a maior bênção de Deus.

Eu só tenho que agradecer a todos dentro da Apac, especialmente a Socorro Machado ( presidente da organização em Timon]. Eles me tiraram da lama, me deram força, me guiaram. Estou aqui para provar que eu pude dar a volta por cima. A recompensa de tudo isso foi encontrar uma mulher de verdade, que eu amo, que está do meu lado nos momentos difíceis e felizes.

RESSOCIALIZAÇÃO

Quando eu voltei à sociedade foi um pouco difícil porque a gente recebe os preconceitos. Mas sempre tive pessoas ao meu lado que me deram apoio, para eu nunca abaixar a cabeça pra esse tipo de preconceito.

O que eu quero na minha vida é ser feliz ao lado da minha família, cuidar da minha família pelo resto da minha vida, trabalhar. Eu continuo trabalhando na prefeitura, como cortador de grama. Eu me sinto muito bem no meu trabalho, gosto muito. Quero ficar muitos e muitos anos, velho, ao lado da minha família e ser muito feliz.

Antes eu não tinha experiência profissional e tive essa chance de aprender uma profissão dentro da Apac. Até ser preso, eu não queria ter responsabilidade, aquilo ali pra mim não importava. Eu só vim ver o que realmente era responsabilidade no momento em que eu entrei na Apac. Dali para frente que eu fui colocando minha cabeça no lugar.

O caminho que eu estava querendo não era aquele, mas sim esse que eu estava convivendo naquele momento, era aquele que a Apac estava me mostrando.

Cumpri minha pena, e hoje me defino como um homem realizado. Um homem feliz, de cabeça erguida.

Fonte: Blog do Elias Lacerda

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